Você é um programador que dedica a vida apenas à área? Tem um horário de trabalho no entanto ainda fica a trabalhar, nem que seja só para si, até ás quatro da manhã e ainda sábados domingos e feriados? Para ser assim e para não se saturar, tem mesmo que amar o que faz. E geralmente, quem assim o faz, dedica grande parte do seu tempo a tentar ser o melhor. Estamos tão concentrados no que adoramos fazer que nem nos apercebemos do tempo a passar. Geralmente olhamos para o salário como uma pequena recompensa de todo o esforço, mas nunca o real objetivo. É claro que todas as pessoas têm que sobreviver e mais cedo ou mais tarde vai parar uns minutos, vai olhar para trás e vai perceber que o salário também é importante para a sua sobrevivência e bem estar. Basicamente, o tempo passa, são horas e mais horas, agarrado a um computador, no qual à posteriori se questiona o que viveu realmente. Na realidade não viveu nada e continua pobre. As pessoas mais chegadas não entendem o que realmente faz e pensam que não faz nada. Dedica o seu tempo a ler, pensar e resolver problemas complexos relativos à área que lhe deixam louco e com umas terríveis dores de cabeça, não é valorizado e um operador de caixa respeita o seu horário de trabalho, não tem que matutar e ganha mais. Se pedir um café enquanto está a trabalhar provavelmente vai esquecer de o tomar. Caso desligue o computador, os problemas não vão sair da cabeça, vai ir ao WC e a meio do que está a fazer aparece a solução e tem que a implementar para a ver a funcionar. Se adormecer, vai sonhar com um problema qualquer, provavelmente com a solução também e assim acorda sem querer para a implementar. Se sair com os amigos, poderá estar muito distante envolvido nos problemas que ainda não têm solução. Com a crise, aquela palavra frequente em Portugal, os salários baixaram, o desemprego aumentou e quem beneficiou ou está a beneficiar de certa forma são na realidade as entidades patronais que têm mão de obra barata visto as pessoas se sujeitarem a salários baixos e ainda sentem que têm total controlo sobre o funcionário, pois este trabalha com medo de viver ( pode ser despedido a qualquer altura ). Quando ainda somos muito jovens, sentimos que somos bons, capazes de tudo e que vamos lançar um projeto e tudo vai correr bem, mas a verdade é que lança 2, 3, 4, 6, enfim 7 projetos e nenhum vinga e te dá a verdadeira independência financeira. É caso para dizer que está com azar! Afinal nem Mark Zuckerberg contava que um dia fosse tão popular. Projetos que lhe roubaram fins de semana, feriados, horas e mais horas de madrugada, para além do emprego. Ou seja, não fez mais nada senão trabalhar por uma vida melhor. E ignorou a faculdade porque olhava para ela como um caminho para obter um simples papel que diz que estou apto, sei trabalhar na minha área e que fui avaliado em x valores ( para não falar nos custos ), no entanto e para os devidos efeitos, sou engenheiro e tenho que receber no mínimo 2 salários mínimos. Esta parte eu achava completamente ridícula, sempre acreditei que quem se dedicava conseguia chegar onde pretendia, seja com ou sem papel, mas a verdade é que como autodidata dificilmente vai ser respeitado em termos de salário como um engenheiro informático. Mesmo que saiba muito mais que ele e seja um trabalhador muito produtivo, o papel ainda é muito usado para distinguir o seu salário do salário do engenheiro. Mesmo assim, não se aplica a todos e há quem realmente consiga uma vida melhor sem o dito papel. No entanto, aconselho a seguirem a faculdade ( isto se tiverem € ) mesmo sendo autodidatas, isto para serem respeitados monetariamente no mercado de trabalho e terem uma vida melhor. Se o sistema é assim e sempre foi, porque não usar a nosso favor mesmo achando ridículo perder 3 ou 5 anos só para ter um papel? E um dia talvez (€) eu siga a faculdade.
August 16, 2016, 3:15 am
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